meu eu pseudo-poético tão ameaçado
minha forma roubada minha palavra
e o arrependimento não-constante
mas forte quando chega ao topo do pensamento
meu sangue
minha dor
meu rastro de sujeira e minhas palavras horríveis
o canto sobre medo de imagens de santos
e a raiva de cães que latem sem motivo
meus copos
a vontade de ter corpos vivos à minha disposição
de ter corpos mortos na minha estante
ter a arte exaltada em rubras gotas
meu sabor amargo de “pós”
meus brindes ao vazio dos átomos
e aos atordoados bêbados e seus vômitos
meu sangue
minha dor
meu eu pseudo-doente tão ameaçado
minha constante vontade de explodir minha mente
minhas referências tão ameaçadas
calar quando se tem tanto à dizer é ser forte?
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
Sob um teto
quando estou de frente para o mar
e ele me encara calmo e agressivo e gigante
lembro o quanto eu sou um nada
o quanto sou menor que uma gota no universo.
quando retomo a leitura do mesmo livro
pela segunda ou terceira vez
me lembro do quanto eu gosto do Raskólhnikov
e da florzinha em seu papel de parede.
quando eu chego em casa
e sei que não faz diferença se minha perna tem pelos
eu me lembro o quanto a melhor parte de sair
é estar de volta.
quando eu escrevo...
eu costumava me sentir sob um teto.
e ele me encara calmo e agressivo e gigante
lembro o quanto eu sou um nada
o quanto sou menor que uma gota no universo.
quando retomo a leitura do mesmo livro
pela segunda ou terceira vez
me lembro do quanto eu gosto do Raskólhnikov
e da florzinha em seu papel de parede.
quando eu chego em casa
e sei que não faz diferença se minha perna tem pelos
eu me lembro o quanto a melhor parte de sair
é estar de volta.
quando eu escrevo...
eu costumava me sentir sob um teto.
La Colère
será que Morrissey tinha mesmo razão?
começo a crer que sim.
“masturbe o seu vazio” é tão poético
quanto Arthur Krause em suas cartas para Lorraine.
e cada um tem seus eus
de corações partidos e ainda de cinta liga
mas há controvérsias:
o que me parece é que deixar claro
está na moda
então vamos chorar todos agora
e raspar nossos cabelos
o dramático, o teatral, o falso
tão na moda quanto raspar o cabelo
e beijos atrás de um banheiro sujo.
a consideração que falta
a consideração que sobra
a instabilidade não admitida
a instabilidade óbvia
a garrafa vazia, a mágoa, o nojo
os pés pelas mãos, o arrependimento
o não suportar sem motivos;
as roupas sempre tão vermelhas e limpas
as unhas sempre tão vermelhas e descascadas
os olhos sempre tão vermelhos e curiosos
as lágrimas que não escorrem do lado de fora
as drogas, os impulsos, as palavras em excesso
as explicações, o suicídio não planejado à tempo
as perguntas intermináveis, a raiva concentrada:
tudo apontado pra uma mesma cara
desde que ela abriu os olhos, há 3 dias.
“... reality.”
começo a crer que sim.
“masturbe o seu vazio” é tão poético
quanto Arthur Krause em suas cartas para Lorraine.
e cada um tem seus eus
de corações partidos e ainda de cinta liga
mas há controvérsias:
o que me parece é que deixar claro
está na moda
então vamos chorar todos agora
e raspar nossos cabelos
o dramático, o teatral, o falso
tão na moda quanto raspar o cabelo
e beijos atrás de um banheiro sujo.
a consideração que falta
a consideração que sobra
a instabilidade não admitida
a instabilidade óbvia
a garrafa vazia, a mágoa, o nojo
os pés pelas mãos, o arrependimento
o não suportar sem motivos;
as roupas sempre tão vermelhas e limpas
as unhas sempre tão vermelhas e descascadas
os olhos sempre tão vermelhos e curiosos
as lágrimas que não escorrem do lado de fora
as drogas, os impulsos, as palavras em excesso
as explicações, o suicídio não planejado à tempo
as perguntas intermináveis, a raiva concentrada:
tudo apontado pra uma mesma cara
desde que ela abriu os olhos, há 3 dias.
“... reality.”
Ávida
“mórbido”
“morbidez”
flamingos que de tão feios e nojentos
merecem um lugar na estante do cérebro,
merecem tomar lugar da preocupação
com a coceira das perebas
e os filhos da aranha que nascerão daqui uns tempos.
mas não sei se Jesus Cristo ganharia de Andy Warhol
na sinuca.
precisamos repensar nossa pontuação
nossos acertos, nossos medos
nós, meus queridos. em nós.
precisamos reprogramar nossa pontuação
e nossas línguas pontiagudas
como se fossem fazer desenhos quase irreversíveis
na pele.
por baixo daquela pele tatuada
serpenteiam
os meus desejos e as minhas inseguranças
as minhas contradições
os meus pensamentos sujos;
por baixo daquela pele tatuada
mora a minha calmaria
e esses dias têm sido uma lenta compassada
subliminar vontade de pular
do prédio mais alto,
mas eu não sei onde ele foi construído.
sou uma pseudo-escritora falida
tomando o chá das 3
às 4
e colocando uma corrente na dor de cabeça
proveniente de imperfeições
neuropsicológicas hereditárias
com as tripas todas gritando por álcool e fósforos
e a pele toda gritando por atrito.
ah, o atrito com aquela pele tatuada
ah, o toque daquela ávida língua...
mas ainda não sei se Jesus Cristo ganharia de Andy Warhol
na sinuca.
“morbidez”
flamingos que de tão feios e nojentos
merecem um lugar na estante do cérebro,
merecem tomar lugar da preocupação
com a coceira das perebas
e os filhos da aranha que nascerão daqui uns tempos.
mas não sei se Jesus Cristo ganharia de Andy Warhol
na sinuca.
precisamos repensar nossa pontuação
nossos acertos, nossos medos
nós, meus queridos. em nós.
precisamos reprogramar nossa pontuação
e nossas línguas pontiagudas
como se fossem fazer desenhos quase irreversíveis
na pele.
por baixo daquela pele tatuada
serpenteiam
os meus desejos e as minhas inseguranças
as minhas contradições
os meus pensamentos sujos;
por baixo daquela pele tatuada
mora a minha calmaria
e esses dias têm sido uma lenta compassada
subliminar vontade de pular
do prédio mais alto,
mas eu não sei onde ele foi construído.
sou uma pseudo-escritora falida
tomando o chá das 3
às 4
e colocando uma corrente na dor de cabeça
proveniente de imperfeições
neuropsicológicas hereditárias
com as tripas todas gritando por álcool e fósforos
e a pele toda gritando por atrito.
ah, o atrito com aquela pele tatuada
ah, o toque daquela ávida língua...
mas ainda não sei se Jesus Cristo ganharia de Andy Warhol
na sinuca.
Teu sorriso
me vale duas garrafas de xixi recém feito.
sou uma morena falsa ouvindo Buzzcocks
e tendo uma hemorragia.
essa mulher entra no meu quarto
e faz sexo anal comigo e eu sinto como se
estivesse numa nuvem de borboletas
e com Das Ich
Das Ich
Das Ich
aos ouvidos.
sou uma morena falsa ouvindo Buzzcocks
e tendo uma hemorragia.
essa mulher entra no meu quarto
e faz sexo anal comigo e eu sinto como se
estivesse numa nuvem de borboletas
e com Das Ich
Das Ich
Das Ich
aos ouvidos.
O cão nunca sabe o que fazer depois.
Coisas muito fáceis de entender são chatas.
Eu fui fechar a porta e ela já estava fechada e
me senti do mesmo jeito que me senti quando comecei a namorar meu primeiro namorado
depois de muita merda ter acontecido,
o que deve ser equivalente ao que um cão sente quando
corre atrás de um carro por um bom tempo e o carro para,
tenho dito,
o cão nunca sabe o que fazer depois.
Não quero mais preliminares.
O lugar onde eu cedo meu corpo
teço minhas fracas teias
(ainda não vesti minha roupa de puta)
acho que tenho direitos por tecer minhas fracas teias e me engano,
é o que eu queria que estivesse
sempre
literalmente dentro de mim.
Eu fui fechar a porta e ela já estava fechada e
me senti do mesmo jeito que me senti quando comecei a namorar meu primeiro namorado
depois de muita merda ter acontecido,
o que deve ser equivalente ao que um cão sente quando
corre atrás de um carro por um bom tempo e o carro para,
tenho dito,
o cão nunca sabe o que fazer depois.
Não quero mais preliminares.
O lugar onde eu cedo meu corpo
teço minhas fracas teias
(ainda não vesti minha roupa de puta)
acho que tenho direitos por tecer minhas fracas teias e me engano,
é o que eu queria que estivesse
sempre
literalmente dentro de mim.
Contato
lentes de contato azuis
fazem o céu parecer mais azul?
um “talvez” deveria ser substituído por um “com certeza”
e deveria funcionar
e as coisas parecem estar tão bem
mas na verdade não estão
e as lentes de contato azuis parecem estar
tornando o céu mais azul
mas na verdade não estão
e não faz tanto tempo que tenho estado fraca
tenho sentido saudades demais
e eu sei o quanto isso é ruim
e sei o quanto é ruim sentir insegurança
a maior parte do tempo
e segurança em braços que na verdade não se sabe
se querem mesmo fazer com que alguém se sinta seguro
e eu sei o quanto é ruim
não saber minhas próprias intenções
ter medo de se arrepender é terrível
e eu tenho desejado demais me sentir segura
naqueles braços que me dão tanta incerteza
tanta contradição
de longe
e que me fazem esquecer de tudo isso
e de todo o resto
quando estão perto
e eu sei o quanto isso é uma merda
fazem o céu parecer mais azul?
um “talvez” deveria ser substituído por um “com certeza”
e deveria funcionar
e as coisas parecem estar tão bem
mas na verdade não estão
e as lentes de contato azuis parecem estar
tornando o céu mais azul
mas na verdade não estão
e não faz tanto tempo que tenho estado fraca
tenho sentido saudades demais
e eu sei o quanto isso é ruim
e sei o quanto é ruim sentir insegurança
a maior parte do tempo
e segurança em braços que na verdade não se sabe
se querem mesmo fazer com que alguém se sinta seguro
e eu sei o quanto é ruim
não saber minhas próprias intenções
ter medo de se arrepender é terrível
e eu tenho desejado demais me sentir segura
naqueles braços que me dão tanta incerteza
tanta contradição
de longe
e que me fazem esquecer de tudo isso
e de todo o resto
quando estão perto
e eu sei o quanto isso é uma merda
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
Naquela madrugada eu poderia ter levado um tiro
Gregor Samsa tocando guitarra aos meus ouvidos
e eu penso porque diabos é tão bom descer
aquela rua
e imaginar um cachorro
escrevendo seu nome no chão com urina
e não conseguir abrir a garrafa
ou achar que a lua parece um ovo
e porque diabos é tão bom olhar para aquele rosto
tão magro e tão macio
e tentar entender como pode uma língua
ser tão macia
e ter tanta vontade de retratar tudo isso em uma tela
e fazê-la mais famosa que a famosa foto da Monalisa
momentos antes de seu casamento com Bob Dylan
para todas as pessoas verem o que é
um ser simples, pura e poeticamente belo
em toda sua complexidade
e gritos desesperados no banheiro
e de onde diabos vem a minha tão grande repulsa
por quem não olha nos olhos
Anna-Varney cantando aos meus ouvidos
e eu penso porque diabos é tão bom
pensar em morte e achar inspiração
em um poema de Poe cantado por Anna-Varney
e sua androginia e sua sexualidade abstrata
e em Daddy’s Girl
e em todos os coelhos e ratos com cara de demônios
e seus cérebros à mostra e bebês deformados
e em Nebreda e seus lindos ossos
e em mulheres e seus lindos corpos
e naquele rosto masculino e macio
poética, pura e simplesmente belo
que eu tenho vontade de retratar em uma tela
e fazê-la mais famosa que a famosa foto da Monalisa
momentos antes de seu casamento com Bob Dylan
e eu nunca acho as respostas
e eu penso porque diabos é tão bom descer
aquela rua
e imaginar um cachorro
escrevendo seu nome no chão com urina
e não conseguir abrir a garrafa
ou achar que a lua parece um ovo
e porque diabos é tão bom olhar para aquele rosto
tão magro e tão macio
e tentar entender como pode uma língua
ser tão macia
e ter tanta vontade de retratar tudo isso em uma tela
e fazê-la mais famosa que a famosa foto da Monalisa
momentos antes de seu casamento com Bob Dylan
para todas as pessoas verem o que é
um ser simples, pura e poeticamente belo
em toda sua complexidade
e gritos desesperados no banheiro
e de onde diabos vem a minha tão grande repulsa
por quem não olha nos olhos
Anna-Varney cantando aos meus ouvidos
e eu penso porque diabos é tão bom
pensar em morte e achar inspiração
em um poema de Poe cantado por Anna-Varney
e sua androginia e sua sexualidade abstrata
e em Daddy’s Girl
e em todos os coelhos e ratos com cara de demônios
e seus cérebros à mostra e bebês deformados
e em Nebreda e seus lindos ossos
e em mulheres e seus lindos corpos
e naquele rosto masculino e macio
poética, pura e simplesmente belo
que eu tenho vontade de retratar em uma tela
e fazê-la mais famosa que a famosa foto da Monalisa
momentos antes de seu casamento com Bob Dylan
e eu nunca acho as respostas
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Atominação
Não temos tanto tempo de vida se descontarmos todas as horas mórbidas. Não somos nada além de átomos e imaginação. Não somos nada. Alienação é relativo, ela sempre fala de alienação quando estamos falando alto. Acho que alienado é quem ouve tudo que toca no rádio, assiste TV inútil e absorve todo tipo de cultura inútil, desnecessária, que não serve nem para forrar as gavetas do cérebro. Inteligência não é passar no vestibular. Minha memória é péssima e eu vivo tendo problemas por causa disso. Meu agnosticismo não permite que eu veja as pessoas como mais do que átomos e imaginação. Mas eu ainda sinto. Sentimentos são as coisas mais simples e mais complexas de todas; ninguém vê, mas todo mundo sabe exatamente como é, e eu odeio saber como é. Não temos tanto tempo de vida se descontarmos as horas
apaixonadas
bêbadas
mórbidas
e todos os dias
e noites
sem luas e sóis
e vênus
que não pode acenar
e falta de dinheiro
e vinho em excesso
“mas não vou me sujar
fumando apenas um cigarro”
e sem ser completo
sem se machucar
sem sangrar pelos olhos
e sem usar colírios à noite
e sem amar a noite...
a noite...
Queria que sempre fosse noite.
Noite em excesso
(vermelho como os teus olhos)
Macio
(sujo como seus cabelos)
E entorpecente
(maravilhoso como teu sorriso)
Em excesso.
Eu também trocaria qualquer garota pela Lua. Prefiro números ímpares, mas não gosto de números, no geral. Gosto mais de letras, muito mais. Toda vez que me encontro no mais escuro dos becos do fundo da minha mente, me renasce a certeza de que a vida não tem sentido. As folhas caindo não têm sentido, ou tanto quanto o barulho dos ponteiros do relógio. Desespero.
Prefiro os copos de dentro do meu quarto e as garrafas de vinho barato nos bares mal cheirosos. Me diga: a que distância fica o céu do inferno? A que distância fica o amor do ódio?
apaixonadas
bêbadas
mórbidas
e todos os dias
e noites
sem luas e sóis
e vênus
que não pode acenar
e falta de dinheiro
e vinho em excesso
“mas não vou me sujar
fumando apenas um cigarro”
e sem ser completo
sem se machucar
sem sangrar pelos olhos
e sem usar colírios à noite
e sem amar a noite...
a noite...
Queria que sempre fosse noite.
Noite em excesso
(vermelho como os teus olhos)
Macio
(sujo como seus cabelos)
E entorpecente
(maravilhoso como teu sorriso)
Em excesso.
Eu também trocaria qualquer garota pela Lua. Prefiro números ímpares, mas não gosto de números, no geral. Gosto mais de letras, muito mais. Toda vez que me encontro no mais escuro dos becos do fundo da minha mente, me renasce a certeza de que a vida não tem sentido. As folhas caindo não têm sentido, ou tanto quanto o barulho dos ponteiros do relógio. Desespero.
Prefiro os copos de dentro do meu quarto e as garrafas de vinho barato nos bares mal cheirosos. Me diga: a que distância fica o céu do inferno? A que distância fica o amor do ódio?
Depois das 6
Caminhava leve como um aprendiz de vagabundo, olhando para as nuvens e tentando achar algo que pudesse ser pelo menos parcialmente considerado como uma forma de resposta pra alguma de suas infinitas perguntas. Ainda queria saber o que há depois do pôr do sol da vida.
Chegou em casa e decidiu descobrir. Um revólver e o sol se pôs.
Chegou em casa e decidiu descobrir. Um revólver e o sol se pôs.
palavra
canções falando de necrofilia
textos sobre gente bêbada
gente bêbada e necrófila
e eu pensando como cultuar
gente idiota
é mais fácil e convincente
do que cultuar livros e música
e como ter cabelos bonitos
é mais fácil
do que ser prostituta
e mais difícil do que não ser
nada
penso enquanto ouço canções sobre
vamos ficar bêbados juntos!, disse Jesus
e eu sinto cheiro de sexo nas pessoas
que eu achava que não.
errado é gostar de abraço de traição
de pseudo-arrependimento
de pseudo-consideração
que é sinceramente o que eu tenho tido
por quase todas as pessoas
exceto as que eu deveria
canções boas quase sempre são mais curtas.
por que?
textos sobre gente bêbada
gente bêbada e necrófila
e eu pensando como cultuar
gente idiota
é mais fácil e convincente
do que cultuar livros e música
e como ter cabelos bonitos
é mais fácil
do que ser prostituta
e mais difícil do que não ser
nada
penso enquanto ouço canções sobre
vamos ficar bêbados juntos!, disse Jesus
e eu sinto cheiro de sexo nas pessoas
que eu achava que não.
errado é gostar de abraço de traição
de pseudo-arrependimento
de pseudo-consideração
que é sinceramente o que eu tenho tido
por quase todas as pessoas
exceto as que eu deveria
canções boas quase sempre são mais curtas.
por que?
um poema inacabado
o nada.
é o que fica no final.
mas nem era tão tarde
e eu ouvia tantos passos e tantas palavras
alcoólicas
saindo da minha própria boca
e não entrando em um ouvido sequer
que fiquei feliz.
fiquei ali parada esperando ela entrar
entrou
sentou-se
e fiquei admirando suas pernas
e ninguém vai me convencer
de que elas não podem fazer parte da minha
lista
de pernas mais bonitas do mundo.
do mundo que eu já vi até agora.
fazer coisas sem pensar faz parte das melhores
coisas que se pode fazer
dependendo do lado da janela que você se encontra.
as coisas sempre são muito mais complicadas
do lado de dentro.
é o que fica no final.
mas nem era tão tarde
e eu ouvia tantos passos e tantas palavras
alcoólicas
saindo da minha própria boca
e não entrando em um ouvido sequer
que fiquei feliz.
fiquei ali parada esperando ela entrar
entrou
sentou-se
e fiquei admirando suas pernas
e ninguém vai me convencer
de que elas não podem fazer parte da minha
lista
de pernas mais bonitas do mundo.
do mundo que eu já vi até agora.
fazer coisas sem pensar faz parte das melhores
coisas que se pode fazer
dependendo do lado da janela que você se encontra.
as coisas sempre são muito mais complicadas
do lado de dentro.
Assimetria
Existem muito mais coisas entre um copo e outro
do que Freud pode explicar.
Eu sempre me arrependo. “No mais, estou indo embora.”
Mas eu não jogaria ninguém
no pano de guardar confetes.
Eu quero tudo. Espero viver bastante,
senão não dá tempo.
Assim devem fazer os escritores quando dão um prazo pra eles entregarem alguma coisa pronta e eles não têm a menor inspiração, devem fazer como eu estou fazendo agora:
escrever qualquer merda.
A diferença é que a merda deles sempre fica linda.
Queria me ver fazendo algum sentido.
Segurança ou liberdade?
do que Freud pode explicar.
Eu sempre me arrependo. “No mais, estou indo embora.”
Mas eu não jogaria ninguém
no pano de guardar confetes.
Eu quero tudo. Espero viver bastante,
senão não dá tempo.
Assim devem fazer os escritores quando dão um prazo pra eles entregarem alguma coisa pronta e eles não têm a menor inspiração, devem fazer como eu estou fazendo agora:
escrever qualquer merda.
A diferença é que a merda deles sempre fica linda.
Queria me ver fazendo algum sentido.
Segurança ou liberdade?
sábado, 9 de abril de 2011
Mariana aos 9 anos.
O que eu sou?
o que eu sou?
não me pergunte.
meu lar é o vento.
o que vai me acontecer
se eu não pensar
no amanhã?
não me pergunte.
meu lar é o vento.
o que vai me acontecer
se eu não pensar
no amanhã?
Coração humano
Ah, o coração humano,
tão rico e tão trágico,
tão capaz de gestos magnificentes
quanto de fingimentos!
Nada existe, na verdade,
mais misterioso
e amedrontador
do que ele.
Ah, o coração humano,
tão difícil de ser compreendido
mas fonte da maior felicidade
quando,
generosamente,
sem cobranças,
presenteado.
Da estante
aqui estou eu
escrevendo palavrinhas
enquanto meu maior amor platônico me observa
de lá da estante
o que será que ele pensaria a meu respeito?
sou de perder oportunidades
como a de falar com aquele cara
que sempre fica me olhando
e eu sempre fico olhando pra ele
e a gente nunca se fala
nunca se fala
nunca
queria ter 12 anos no máximo
para usar meias para dormir
meias e só
e para sair pela rua de meias
meias e saia
eu não posso mais
sinto sono
então conto quantas tampas tenho na minha coleção
de tampas de vinho barato
- única coisa que tenho bebido -
são 22 desde fevereiro
e penso no cara com quem eu nunca falo
e acabo gostando de pensar nele
como sempre faço
escrevendo palavrinhas
enquanto meu maior amor platônico me observa
de lá da estante
o que será que ele pensaria a meu respeito?
sou de perder oportunidades
como a de falar com aquele cara
que sempre fica me olhando
e eu sempre fico olhando pra ele
e a gente nunca se fala
nunca se fala
nunca
queria ter 12 anos no máximo
para usar meias para dormir
meias e só
e para sair pela rua de meias
meias e saia
eu não posso mais
sinto sono
então conto quantas tampas tenho na minha coleção
de tampas de vinho barato
- única coisa que tenho bebido -
são 22 desde fevereiro
e penso no cara com quem eu nunca falo
e acabo gostando de pensar nele
como sempre faço
domingo, 13 de março de 2011
839
prefiro quando me sinto mal
pelo menos eu sinto
agora não devia ser tão obrigatório ser sempre lógico
calculista
frio e calculista
talvez isso tudo me falte
talvez eu prefira escrever com letras minúsculas
sem vírgulas
sem pontos
sem parágrafos
nunca gostei deles
mas hoje não me sinto mal
só um com um pouco de dor de cabeça
dor na mente que eu sei que não passa tão rápido
não passa com remédios e chás nem sexo ou vodka
não passa com o tesão que você me causa
não passa com aqueles olhos tão expressivos do teu amigo
não passa com a porta que eu sempre deixo entreaberta
devia deixar fechada de uma vez por todas
não passa com músicas como
and I think about the only road
the one I’ve never known
and where it goes
que era quando você sorria um sorriso verdadeiro
não passa com as noites mal dormidas que sempre tive
e os sonhos estranhos que sempre tive
não passa com tua blusa azul que eu não gosto
não passa com o tempo que eu perco com meu cabelo
não passa com meu primeiro nem com meu último pensamento
não passa com nada disso nem mais uma série de coisas
nem com uma série de coisas todas juntas
não passa a dor na minha mente
talvez seja deus tentando me convencer de que tudo vale a pena
quando nada realmente vale a pena
talvez seja deus
depois de tantos pensamentos suicidas
talvez ele tenha ouvido
deus vê todo dia pessoas solitárias se masturbando
pessoas solitárias se matando
poetas solitários vivendo coisas platônicas
poetas solitários como eu
que no fundo não gostam de amores correspondidos
que têm sua inspiração em coisas impossíveis
que tem aversão à serem amados inexplicavelmente
prazer e completude em estar sempre só
prazer e completude numa vida vazia
de sentimentos voláteis e de cartas ainda não escritas
e de gripes que parecem eternas
e de saudades que parecem eternas
e de versos que parecem eternamente
em decomposição
deus vê todo dia corações em decomposição
me fascina
me inspira
me excita
me lambe
me chupa
e me cospe fora todo dia
deus e seu corpo em decomposição
em três anos você me disse que eu sou louca uma vez
que eu estava metendo os pés pelas mãos
desaprovou minha personalidade metamórfica
se é que assim se pode dizer
e não me disse nada além de
acho que você é minha melhor amiga
deus vê você caindo nas portas dos bares
deus vê que quero te chutar nessas horas
que quero te chutar sempre
que você é a pessoa que eu mais odiei em toda minha vida
e que vou odiar para sempre
amém
e que não perco uma oportunidade de deixar tudo tão claro
quanto as estrelas que brilhavam em seus olhos
e não mais brilham
deus vê pessoas solitárias enchendo a cara
deus manda elas se foderem
e vai pro banheiro com uma revista playboy
e faz sexo mental com suas filhas terrestres
enquanto pensa
poetas como ela não passam de hereges
talvez ele perceba meus pensamentos suicidas
e venha tentar me convencer de que tudo vale a pena
e talvez eu cuspa em sua divina cara
senhor
eu não sou digna de que entreis em minha morada
mas direi duas palavras e serei salva
me possua
sinto prazer e completude ao imaginar deus todo poderoso
lendo essa porcaria agora
e pensando
poetas como ela não passam de hereges
pelo menos eu sinto
agora não devia ser tão obrigatório ser sempre lógico
calculista
frio e calculista
talvez isso tudo me falte
talvez eu prefira escrever com letras minúsculas
sem vírgulas
sem pontos
sem parágrafos
nunca gostei deles
mas hoje não me sinto mal
só um com um pouco de dor de cabeça
dor na mente que eu sei que não passa tão rápido
não passa com remédios e chás nem sexo ou vodka
não passa com o tesão que você me causa
não passa com aqueles olhos tão expressivos do teu amigo
não passa com a porta que eu sempre deixo entreaberta
devia deixar fechada de uma vez por todas
não passa com músicas como
and I think about the only road
the one I’ve never known
and where it goes
que era quando você sorria um sorriso verdadeiro
não passa com as noites mal dormidas que sempre tive
e os sonhos estranhos que sempre tive
não passa com tua blusa azul que eu não gosto
não passa com o tempo que eu perco com meu cabelo
não passa com meu primeiro nem com meu último pensamento
não passa com nada disso nem mais uma série de coisas
nem com uma série de coisas todas juntas
não passa a dor na minha mente
talvez seja deus tentando me convencer de que tudo vale a pena
quando nada realmente vale a pena
talvez seja deus
depois de tantos pensamentos suicidas
talvez ele tenha ouvido
deus vê todo dia pessoas solitárias se masturbando
pessoas solitárias se matando
poetas solitários vivendo coisas platônicas
poetas solitários como eu
que no fundo não gostam de amores correspondidos
que têm sua inspiração em coisas impossíveis
que tem aversão à serem amados inexplicavelmente
prazer e completude em estar sempre só
prazer e completude numa vida vazia
de sentimentos voláteis e de cartas ainda não escritas
e de gripes que parecem eternas
e de saudades que parecem eternas
e de versos que parecem eternamente
em decomposição
deus vê todo dia corações em decomposição
me fascina
me inspira
me excita
me lambe
me chupa
e me cospe fora todo dia
deus e seu corpo em decomposição
em três anos você me disse que eu sou louca uma vez
que eu estava metendo os pés pelas mãos
desaprovou minha personalidade metamórfica
se é que assim se pode dizer
e não me disse nada além de
acho que você é minha melhor amiga
deus vê você caindo nas portas dos bares
deus vê que quero te chutar nessas horas
que quero te chutar sempre
que você é a pessoa que eu mais odiei em toda minha vida
e que vou odiar para sempre
amém
e que não perco uma oportunidade de deixar tudo tão claro
quanto as estrelas que brilhavam em seus olhos
e não mais brilham
deus vê pessoas solitárias enchendo a cara
deus manda elas se foderem
e vai pro banheiro com uma revista playboy
e faz sexo mental com suas filhas terrestres
enquanto pensa
poetas como ela não passam de hereges
talvez ele perceba meus pensamentos suicidas
e venha tentar me convencer de que tudo vale a pena
e talvez eu cuspa em sua divina cara
senhor
eu não sou digna de que entreis em minha morada
mas direi duas palavras e serei salva
me possua
sinto prazer e completude ao imaginar deus todo poderoso
lendo essa porcaria agora
e pensando
poetas como ela não passam de hereges
sexta-feira, 11 de março de 2011
Sem nuvens?
está lá a lua. vê?
não me falem sobre pontuação
não me falem sobre alegria
não me falem sobre churrasco
não me falem sobre amor
our little group will never be anymore.
não me falem sobre pontuação
não me falem sobre alegria
não me falem sobre churrasco
não me falem sobre amor
our little group will never be anymore.
Ana
“ O garoto das drogas anda por aí
com sua mochila nas costas
e suas mentiras na língua.
Seu cabelo comprido,
mal cortado. Loiro. Bonito.
E a noite seus olhos se perdem
no nada. E se pausam
em mim.
O garoto das drogas anda por aí.
Por onde eu ando.
E por onde andarei.”
She’s got issues
com sua escarlatina nos fios de cabelo
e todas as garrafas e
“tomara que não chova”,
quem disse que não se fica bêbado com água?
Cães, cigarros, peitos, homens,
vergonhas, madrugadas, copos,
nada mais poético
e concreto
que braços e pernas cortados
e mesmo assim continuar amando.
As coisas deveriam mesmo ser mais fáceis,
como conseguir vinho barato às 2 da manhã
fora do lugar mais movimentado.
Seria bom.
Não sou a pessoa mais indicada pra dizer quem presta,
mas talvez
eu acerte mais do que imagino.
Da próxima vez eu que vou junto pro hospital
quando quebrarem algum amigo meu.
Quem vai comigo pro hospital
quando quebrarem o que tenho de mais valioso,
que bate pra eu poder viver?
O garoto das drogas anda por aí
e nós por aqui, na rua de baixo,
rindo de cães e sons;
é aí que eu me sinto eu,
que nós nos sentimos bem
e nos sentiremos. Na rua de baixo do bar.
Não sou a pessoa mais indicada
pra dizer o que fazer em qualquer situação.
Eu sou um desastre.
Mas,
Ana,
seus cabelos me seduzem.
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