meu eu pseudo-poético tão ameaçado
minha forma roubada minha palavra
e o arrependimento não-constante
mas forte quando chega ao topo do pensamento
meu sangue
minha dor
meu rastro de sujeira e minhas palavras horríveis
o canto sobre medo de imagens de santos
e a raiva de cães que latem sem motivo
meus copos
a vontade de ter corpos vivos à minha disposição
de ter corpos mortos na minha estante
ter a arte exaltada em rubras gotas
meu sabor amargo de “pós”
meus brindes ao vazio dos átomos
e aos atordoados bêbados e seus vômitos
meu sangue
minha dor
meu eu pseudo-doente tão ameaçado
minha constante vontade de explodir minha mente
minhas referências tão ameaçadas
calar quando se tem tanto à dizer é ser forte?
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
Sob um teto
quando estou de frente para o mar
e ele me encara calmo e agressivo e gigante
lembro o quanto eu sou um nada
o quanto sou menor que uma gota no universo.
quando retomo a leitura do mesmo livro
pela segunda ou terceira vez
me lembro do quanto eu gosto do Raskólhnikov
e da florzinha em seu papel de parede.
quando eu chego em casa
e sei que não faz diferença se minha perna tem pelos
eu me lembro o quanto a melhor parte de sair
é estar de volta.
quando eu escrevo...
eu costumava me sentir sob um teto.
e ele me encara calmo e agressivo e gigante
lembro o quanto eu sou um nada
o quanto sou menor que uma gota no universo.
quando retomo a leitura do mesmo livro
pela segunda ou terceira vez
me lembro do quanto eu gosto do Raskólhnikov
e da florzinha em seu papel de parede.
quando eu chego em casa
e sei que não faz diferença se minha perna tem pelos
eu me lembro o quanto a melhor parte de sair
é estar de volta.
quando eu escrevo...
eu costumava me sentir sob um teto.
La Colère
será que Morrissey tinha mesmo razão?
começo a crer que sim.
“masturbe o seu vazio” é tão poético
quanto Arthur Krause em suas cartas para Lorraine.
e cada um tem seus eus
de corações partidos e ainda de cinta liga
mas há controvérsias:
o que me parece é que deixar claro
está na moda
então vamos chorar todos agora
e raspar nossos cabelos
o dramático, o teatral, o falso
tão na moda quanto raspar o cabelo
e beijos atrás de um banheiro sujo.
a consideração que falta
a consideração que sobra
a instabilidade não admitida
a instabilidade óbvia
a garrafa vazia, a mágoa, o nojo
os pés pelas mãos, o arrependimento
o não suportar sem motivos;
as roupas sempre tão vermelhas e limpas
as unhas sempre tão vermelhas e descascadas
os olhos sempre tão vermelhos e curiosos
as lágrimas que não escorrem do lado de fora
as drogas, os impulsos, as palavras em excesso
as explicações, o suicídio não planejado à tempo
as perguntas intermináveis, a raiva concentrada:
tudo apontado pra uma mesma cara
desde que ela abriu os olhos, há 3 dias.
“... reality.”
começo a crer que sim.
“masturbe o seu vazio” é tão poético
quanto Arthur Krause em suas cartas para Lorraine.
e cada um tem seus eus
de corações partidos e ainda de cinta liga
mas há controvérsias:
o que me parece é que deixar claro
está na moda
então vamos chorar todos agora
e raspar nossos cabelos
o dramático, o teatral, o falso
tão na moda quanto raspar o cabelo
e beijos atrás de um banheiro sujo.
a consideração que falta
a consideração que sobra
a instabilidade não admitida
a instabilidade óbvia
a garrafa vazia, a mágoa, o nojo
os pés pelas mãos, o arrependimento
o não suportar sem motivos;
as roupas sempre tão vermelhas e limpas
as unhas sempre tão vermelhas e descascadas
os olhos sempre tão vermelhos e curiosos
as lágrimas que não escorrem do lado de fora
as drogas, os impulsos, as palavras em excesso
as explicações, o suicídio não planejado à tempo
as perguntas intermináveis, a raiva concentrada:
tudo apontado pra uma mesma cara
desde que ela abriu os olhos, há 3 dias.
“... reality.”
Ávida
“mórbido”
“morbidez”
flamingos que de tão feios e nojentos
merecem um lugar na estante do cérebro,
merecem tomar lugar da preocupação
com a coceira das perebas
e os filhos da aranha que nascerão daqui uns tempos.
mas não sei se Jesus Cristo ganharia de Andy Warhol
na sinuca.
precisamos repensar nossa pontuação
nossos acertos, nossos medos
nós, meus queridos. em nós.
precisamos reprogramar nossa pontuação
e nossas línguas pontiagudas
como se fossem fazer desenhos quase irreversíveis
na pele.
por baixo daquela pele tatuada
serpenteiam
os meus desejos e as minhas inseguranças
as minhas contradições
os meus pensamentos sujos;
por baixo daquela pele tatuada
mora a minha calmaria
e esses dias têm sido uma lenta compassada
subliminar vontade de pular
do prédio mais alto,
mas eu não sei onde ele foi construído.
sou uma pseudo-escritora falida
tomando o chá das 3
às 4
e colocando uma corrente na dor de cabeça
proveniente de imperfeições
neuropsicológicas hereditárias
com as tripas todas gritando por álcool e fósforos
e a pele toda gritando por atrito.
ah, o atrito com aquela pele tatuada
ah, o toque daquela ávida língua...
mas ainda não sei se Jesus Cristo ganharia de Andy Warhol
na sinuca.
“morbidez”
flamingos que de tão feios e nojentos
merecem um lugar na estante do cérebro,
merecem tomar lugar da preocupação
com a coceira das perebas
e os filhos da aranha que nascerão daqui uns tempos.
mas não sei se Jesus Cristo ganharia de Andy Warhol
na sinuca.
precisamos repensar nossa pontuação
nossos acertos, nossos medos
nós, meus queridos. em nós.
precisamos reprogramar nossa pontuação
e nossas línguas pontiagudas
como se fossem fazer desenhos quase irreversíveis
na pele.
por baixo daquela pele tatuada
serpenteiam
os meus desejos e as minhas inseguranças
as minhas contradições
os meus pensamentos sujos;
por baixo daquela pele tatuada
mora a minha calmaria
e esses dias têm sido uma lenta compassada
subliminar vontade de pular
do prédio mais alto,
mas eu não sei onde ele foi construído.
sou uma pseudo-escritora falida
tomando o chá das 3
às 4
e colocando uma corrente na dor de cabeça
proveniente de imperfeições
neuropsicológicas hereditárias
com as tripas todas gritando por álcool e fósforos
e a pele toda gritando por atrito.
ah, o atrito com aquela pele tatuada
ah, o toque daquela ávida língua...
mas ainda não sei se Jesus Cristo ganharia de Andy Warhol
na sinuca.
Teu sorriso
me vale duas garrafas de xixi recém feito.
sou uma morena falsa ouvindo Buzzcocks
e tendo uma hemorragia.
essa mulher entra no meu quarto
e faz sexo anal comigo e eu sinto como se
estivesse numa nuvem de borboletas
e com Das Ich
Das Ich
Das Ich
aos ouvidos.
sou uma morena falsa ouvindo Buzzcocks
e tendo uma hemorragia.
essa mulher entra no meu quarto
e faz sexo anal comigo e eu sinto como se
estivesse numa nuvem de borboletas
e com Das Ich
Das Ich
Das Ich
aos ouvidos.
O cão nunca sabe o que fazer depois.
Coisas muito fáceis de entender são chatas.
Eu fui fechar a porta e ela já estava fechada e
me senti do mesmo jeito que me senti quando comecei a namorar meu primeiro namorado
depois de muita merda ter acontecido,
o que deve ser equivalente ao que um cão sente quando
corre atrás de um carro por um bom tempo e o carro para,
tenho dito,
o cão nunca sabe o que fazer depois.
Não quero mais preliminares.
O lugar onde eu cedo meu corpo
teço minhas fracas teias
(ainda não vesti minha roupa de puta)
acho que tenho direitos por tecer minhas fracas teias e me engano,
é o que eu queria que estivesse
sempre
literalmente dentro de mim.
Eu fui fechar a porta e ela já estava fechada e
me senti do mesmo jeito que me senti quando comecei a namorar meu primeiro namorado
depois de muita merda ter acontecido,
o que deve ser equivalente ao que um cão sente quando
corre atrás de um carro por um bom tempo e o carro para,
tenho dito,
o cão nunca sabe o que fazer depois.
Não quero mais preliminares.
O lugar onde eu cedo meu corpo
teço minhas fracas teias
(ainda não vesti minha roupa de puta)
acho que tenho direitos por tecer minhas fracas teias e me engano,
é o que eu queria que estivesse
sempre
literalmente dentro de mim.
Contato
lentes de contato azuis
fazem o céu parecer mais azul?
um “talvez” deveria ser substituído por um “com certeza”
e deveria funcionar
e as coisas parecem estar tão bem
mas na verdade não estão
e as lentes de contato azuis parecem estar
tornando o céu mais azul
mas na verdade não estão
e não faz tanto tempo que tenho estado fraca
tenho sentido saudades demais
e eu sei o quanto isso é ruim
e sei o quanto é ruim sentir insegurança
a maior parte do tempo
e segurança em braços que na verdade não se sabe
se querem mesmo fazer com que alguém se sinta seguro
e eu sei o quanto é ruim
não saber minhas próprias intenções
ter medo de se arrepender é terrível
e eu tenho desejado demais me sentir segura
naqueles braços que me dão tanta incerteza
tanta contradição
de longe
e que me fazem esquecer de tudo isso
e de todo o resto
quando estão perto
e eu sei o quanto isso é uma merda
fazem o céu parecer mais azul?
um “talvez” deveria ser substituído por um “com certeza”
e deveria funcionar
e as coisas parecem estar tão bem
mas na verdade não estão
e as lentes de contato azuis parecem estar
tornando o céu mais azul
mas na verdade não estão
e não faz tanto tempo que tenho estado fraca
tenho sentido saudades demais
e eu sei o quanto isso é ruim
e sei o quanto é ruim sentir insegurança
a maior parte do tempo
e segurança em braços que na verdade não se sabe
se querem mesmo fazer com que alguém se sinta seguro
e eu sei o quanto é ruim
não saber minhas próprias intenções
ter medo de se arrepender é terrível
e eu tenho desejado demais me sentir segura
naqueles braços que me dão tanta incerteza
tanta contradição
de longe
e que me fazem esquecer de tudo isso
e de todo o resto
quando estão perto
e eu sei o quanto isso é uma merda
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